Tuesday, September 29, 2009

cidade









caminho, percorro as ruas olhando para todas as direccões. perco-me nos pormenores e no abstracto que a cidade me oferece. multidões passam por mim despercebidas da minha lente. não ligam. disparo. congelo momentos. guardo-os no meu baú electrónico. a cidade vai descongelando à minha frente, por vezes, levo a arma apenas a tiracolo, outras em punho. atraem-me olhares, reflexos, enquadramentos, o acaso, prende-me o olhar tudo que um segundo depois já não está lá. a cidade não se apercebe, não dá por ela, ou não. está lá, atenta a tudo. atenta a mim, à minha arma...ao meu olhar.


as cidades crescem, evoluem, modificam-se, o que hoje existe, amanhã pode não mais estar lá. este processo transfigurativo obriga-nos a estar atentos. passo todos os dias por ali, mas só hoje reparei, que aquela janela reflectia assim. triste, alegre, despreocupada, teve sempre lá, mas para mim nunca existiu até hoje me esbarrar com ela. a cidade marca. calcorreio caminhos mil e uma vezes, mas hoje virei à esquerda, onde normalmente tomo a direita. apeteceu-me. descobri que ali, naquela ruela, nada mais havia, apenas mais uns metros de uma cidade que eu pensava que tão bem conhecia. estava errrado. as cidades não tem fim.

maio 09

2 comments:

Argonauta said...

Muito bom. Bem ilustrado.

Joana said...

gosto dessa cidade, vista pelos teus olhos! quando vens ao porto?